08 março, 2016

Não, não gosto deste dia.

Já aqui referi que gosto de dias temáticos.
O dia da mãe, o dia do pai, o dia dos namorados...!
Mas não gosto do dia da mulher tal como hoje de assinala.
Por favor...
...não me dêem os parabéns pelo dia de hoje.
É que receber os parabéns por ser um sexo e não outro, por si só já é discriminação.
Não me quero sentir uma minoria, nem ter tratamento especial.
Este dia só me lembra que a mulher ainda não tem um lugar consolidado na Euro... nem na Europa, nem em lado nenhum caramba.
É com convicção que digo que enquanto existir o dia das mulheres, um dia de mulheres desiguais ao outro sexo, seremos sempre uma minoria.
Tenho pena que, o que verdadeiras mulheres começaram nos primeiros anos do séc.XX, no contexto de luta por melhores condições de vida e trabalho, bem como o direito ao voto, não seja hoje devidamente continuado e celebrado.
Tenho a certeza que foi por isso que Clara Zebrino, em 1876, propôs a instituição do Dia Internacional da Mulher na Segunda Conferência de Mulheres Soacialistas, porque acreditava na continuação da luta.
Para mim hoje não há luta suficiente, e é indecente que se comemore este dia como um dia similar ao de uma despedida de solteira.
Deixo-vos alguns fatos tristes do que hoje é a mulher, pela sueca Ulrika Karnborg:

“As mulheres são 15% dos parlamentares do mundo todo. De acordo com uma recente pesquisa realizada no sudoeste da Turquia, 37,4% da população acredita que as mulheres devem ser mortas em caso de traição, enquanto 21,6% acha que basta cortar o nariz ou uma orelha. No congresso americano, composto por 535 pessoas, são 16% do sexo feminino. Uma enquete feita por hospitais em Estocolmo em 2002 constatou que 63% das mulheres suecas de 21-24 anos enfrenta dificuldades psicológicas.
Na China realiza-se todos os anos mais de sete milhões de abortos, sendo que em 70% dos casos o feto abortado é do sexo feminino. Na Somália, 98% das meninas tem seu clítoris retirado e a vagina costurada, num ritual que causa muitas vezes a morte. Quase um terço das mulheres da Rússia tem um salário inferior à quantia mínima para sobrevivência. Na Suécia as mulheres esperam mais tempo do que os homens quando chamam uma ambulância.
No Iêmen as mulheres precisam ter a permissão de maridos, pais ou irmãos para sair do país. Mulheres suecas recebem medicamentos e tratamentos mais antigos e baratos do que os homens. Todos os dias mais de 140 estupros chegam ao conhecimento da polícia sul-africana, que escolhe fazer nada. A cada ano cerca de 10 mil mulheres russas são mortas a pancadas por seus maridos ou parentes. Na Suécia quase 50% das mulheres diz ter sido exposta a atos de violência de algum homem depois dos 15 anos de idade.
Em 2001 uma pesquisa mostrou que 80% das mulheres que trabalham na Cidade do México já havia sido exposta a algum tipo de abuso sexual em seus locais de trabalho. As mulheres americanas recebem cerca de 80% dos salários de seus colegas do sexo masculino. As mulheres suecas recebem 90%. Numa pesquisa realizada em 1996, 30% dos homens indianos afirmou ter batido em suas esposas. A maioria das pessoas que deixam de ir ao trabalho com sintomas de estresse na Suécia é do sexo feminino.”



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