24 outubro, 2015

Com a Marta, na escola do Tomaz

Ontem houve reunião de pais na escola do Tomaz.
Sentados nas cadeirinhas, com os joelhos a bater na barriga, lá estivemos atentos a tudo o que a nossa Marta dizia!  Também é nossa, não é só deles!
A importância de nos sentirmos aconchegados pela educadora do nosso filho é tão importante como o sol para as flores, ou como o polen para as abelhas!!
Vermos o nosso filho ficar contente na escola é um conforto para a alma. Saber que ele gosta da sala, dos amigos, da educadora, da auxiliar. Saber que fica contente por nos ver ao fim do dia, mas que se calhar ainda ficava mais 5 minutos na brincadeira é bom, é sinal que se sente bem.
Claro que o ficar na escola se manhã, não é tão agradável depois férias, ou depois de uma semana em casa doente, ou depois de um fim de semana muito cool!!
Agarram-se sempre a nós como se o mundo fosse acabar.

Eu lembro-me de quando era eu, que não queria ficar (nunca) no jardim escola. Lembro-me que ficava sempre com o perfume da minha mãe no nariz e isso fazia-me querer ir a correr para casa!
O Tomaz de maneira geral fica bem na escola, com a excepção das férias ou se fica em casa doente!
Mas há meninos que têm mais dificuldade em ficar, e por isso a Marta partilhou connosco uma carta. A carta de uma criança pequena que regressa ao jardim de infância, que aqui partilho também com todos!
CARTA DE UMA CRIANÇA PEQUENA QUE REGRESSA AO JARDIM-DE-INFÂNCIA
Querida mamã,
Fiz-te um desenho mas tu não percebeste. Não sei escrever mas aqui fica esta carta.
Não, eu não fico a chorar na escolinha porque não gosto de lá estar. Eu até gosto, tenho brinquedos e colinho e tantas vezes me dão miminhos. Tenho amigos e novidade… ainda ontem ouvi uma história que falava sobre os mares gigantes e as tartarugas-bebé que quando nascem têm de se salvar logo como a formiga que me ajudaste a salvar no parque.
Também não fico a chorar porque alguém me faz mal. Mesmo quando os meus amigos me mordem ou batem eu sei qual é a intenção… não digas a ninguém mas eu também o faço sem ninguém ver… quando estou muito zangado como aquele que aparecia no filme com o fogo a sair da cabeça!
Também não fico a chorar porque a manhã foi desastrosa. Eu sei que tens sempre tanto para fazer e que vamos sempre chegar atrasados e que o teu patrão não te dá o dinheirinho e depois eu não tenho comida e brinquedos como tanto gosto. Eu percebo mamã… tens um relógio na tua cabeça que faz tic-tac tic-tac e que não te deixa sentar ao meu lado para tomarmos o pequeno-almoço… como o coelho da história das maravilhas!
E se choro tanto e tão alto a chamar por ti não é porque me dói a tua ausência, que não é natural nem desejada mas que, como tu dizes, “faz parte”.
Eu choro mamã porque gostei tanto mas tanto mas tanto das nossas férias juntas que é como se não aguentasse o grito cá dentro a dizer que te amo demasiado e que foi demasiado bom estar contigo sem tic tac, com pequenos-almoços e histórias, com abraços, colo e sestas, com a tua paciência e doçura e sobretudo com todo o amor que me deste sempre.
Desculpa se te faço chorar quando fico a chorar no regresso ao jardim-de-infância mas eu sou uma flor que gostou muito do teu jardim de verão.
Psicóloga e Terapeuta Familiar e de Casal
Por muito que nos custe, se depois de uma temporada em casa, não fizermos o gesto de entregar no nosso filho à educadora, se ao invés os agarrarmos a nós como se fossemos nós a não querer deixá-lo, eles vão sempre ficar com o nosso cheiro na ponta do nariz, como eu ficava!!
Obrigada Marta!

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